sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quando nasce um poeta?

Quando nasce um poeta?
No momento em que sua mãe dá a luz, ou quando ele escreve suas primeiras palavras?
O poeta quando nasce chora ou recita sobre seus últimos nove meses?
Ainda criança, se tropeça e rala o joelho, ele corre pra mãe ou se agarra na primeira folha de papel que vê é descreve a dor que sente?
Quando nasce eu não sei, não sei
Mas quando escreve, só eu sei o amor que desperta.
Quanto encanto posto em linhas azuis de caderno espiral.
Não há samba que me prenda tanto quanto suas belas palavras
Que me descrevem os sentimentos.
Quando nasce o poeta eu não sei, não sei mesmo
O que sei é que com suas palavras fortes
Traz esperança para muitos de nós
O poeta é um milagre, que permite que acreditemos em outros milagres.
O poeta vê o menino descalço na rua de terra e sofre
Pega o menino pela mão e mostra a esperança
Apresenta o livro, confidente fiel
E através de suas letras em papel de pão
Mostra ao menino o mundo!


Texto de aniversário para o Poeta Sérgio Vaz.



Borghetti, Maísa.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Pela primeira vez senti vontade de sair do país
Quis ir pra onde ninguém me conhece, e recomeçar 
Para saber quem se importa comigo e o que acham de valor em mim
Nunca se sentiu assim?
Excluído da roda que você mesmo montou?
É como se você fosse apenas a ponte para que todos os seus amigos se encontrassem 
E quando eles se encontram não cabe mais você 
A roda se fecha e você sai, fica observando do lado de fora. 
Me fiz platéia.
Por mais amigos que eu tenha, me sinto sempre longe deles.

Estou fora do eixo
Não me visto como eu quero
Não falo o que eu quero
Não vivo o que eu quero 
Não sou eu mesma, sou o que está na vitrine.
Estou sentada em meio ao caos
Pensei ter descoberto quem eu sou, mas apenas descobri como não deveria ser.



Borghetti, Maísa.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Eu gosto quando a tristeza ecoa. Ela me pega pelas mãos e me leva para longe como se nada fosse perdido, como se nada fosse passado. Toda agonia, lágrimas, desespero, a nostalgia que sinto numa música ou um cheiro que traz a tona tudo o que vivi, tudo vale a pena.
O que seria de nós se não fossem as lembranças?
Tudo seria esquecido, o beijo proibido, o sorriso escondido, a saudade que apertou, o abraço que tanto acalmou. A lembrança que vem de um fim de tarde, um cheiro, uma voz, um vento norte que me faz tremer, me lembra do dia que senti frio e um braço quente me protegeu de tudo. É ela, é a lembrança quem faz tudo valer a pena, tudo o que foi ruim em um dado momento, vira bom, me faz sentir viva por ter sentido dor. Porque não existe dor mais intensa e bonita que a de saudade e de amor.



Borghetti, Maísa.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Estou ansiosa para a vida, é como se todos os meus sonhos tivessem se encontrado nessa fase e estivessem rondando a minha cabeça. Quando penso em um, o outro vem, quando decido o que fazer o outro logo atropela e as mãos começam a tremer, como se uma vida fosse pouca para realizar tudo o que quero. Para realizar o amor, o sonho, o projeto e a liberdade, no meu modo de pensar, preciso de alguns anos. A ânsia de viver tudo o que sonhei até aqui me amedronta, quando criança eu sonhava e não passava disso, sonhos que não saiam do meu travesseiro. Realizei meu primeiro projeto de vida, eu não conseguia acreditar, e quando finalmente entendi onde eu estava todos os outros sonhos corriam atrás de mim como se eu fosse obrigada a realizá-los também.
Hoje me sinto pressionada por eles, mesmo sabendo que todos devem ser realizados com calma. São projetos, vontades, desejos e aspirações. A música que me acalma é a mesma que me acelera, e me dá um norte de como devo seguir. Ficar parada me deixa aflita. O que ontem era panacéia, hoje é desespero, me sinto obrigada a realizar tudo isso. É como os minutos finais da prova para o vestibular, quando faltam 10 minutos e 3 questões que você não faz ideia de como resolver.
Meu lado amor, ou meu inteiro, me faz pensar somente com o coração e me emociona só de imaginar em conseguir realizar tudo o que quero, o coração que me entusiasma é o mesmo que me amedronta, acelera, desespera. O desespero não vem pelo medo de não conseguir, mas por ânsia de que seja feito logo.
Eu só queria levantar, fechar os olhos e dançar a música que me toca, ser livre como águia e voar para todos os lados até o momento em que sento, olho para o céu e deito. O silêncio que ontem respondia as minhas dúvidas, hoje a ecoam insanamente. É como se meus pés estivessem fora do chão e tentando pisar firme, é como se eu estivesse nas nuvens vendo a vida passar e não conseguindo descer.
O personagem que vos escreve não é mais um mero personagem, ele ganhou vida e é mais real do que já pôde ser um dia.



Borghetti, Maísa.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Como eu vejo o mundo



Foto: Maísa Borghetti
Eu não sou fotógrafa, mas eu fotografo. Tenho fotos de nuvens, árvores, trem, paisagens, copo de café. Eu fotografo coisas feias e bonitas porque acredito que tudo tem a sua beleza. A beleza está em todo lugar, o que muda é a forma como você vê.
Tem dias que eu acordo com outros olhos, eu vejo um vaso de planta no meu quintal e acho tão lindo e sensível, aquilo me passa uma mensagem, ele é um pedacinho da natureza no meu quintal. Ai eu abro a torneira para regar, eu dou água para a plantinha logo cedo que é o que eu faço quando me levanto, eu bebo um copo d'água e acho que a plantinha também quer.
Lembro que quando criança eu cobrava a minha mãe "mãe, qual o nome das suas plantas? Elas precisam de um nome.", eu adoro as plantas da minha mãe. Eu queria ter um jardim em casa, um pouquinho de terra para mexer no sábado de manhã, nós temos vários vasos no corredor que leva até o portão da rua, eles são o nosso jardim, a nossa natureza de todos os dias.
Tem dias que eu caminho até o ponto de ônibus olhando para o céu, as nuvens conversam comigo como se me dessem "Bom dia", com o sol brilhando no meu rosto eu mal posso abrir os olhos, e então eu pego o meu celular e fotografo, eu gosto de compartilhar esses momentos com meus amigos, eu gosto de mostrar que é bonito, que tudo é bonito quando você olha com bons olhos.
Devemos aproveitar esses momentos, essas fotos, o pouco de natureza que temos na cidade. Porque se os prédios da Av Paulista são bonitos, as árvores que vejo pelo vão do MASP são ainda mais.




Como eu vejo o mundo http://www.flickr.com/photos/103094895@N04/with/12213784204



Borghetti, Maísa.




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Eu fui lá e as pessoas estavam estranhas. Quando não estavam sorrindo, estavam cantando. Mas o que me deixou mais intrigada foi um menino sentado num banco de madeira, ele estava com um livro aberto, ele estava lendo.



Borghetti, Maísa.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Como eu vejo que ele me vê.


Era terça-feira à noite e eu estava em uma loja de roupas. Parei e pensei no porquê eu estava ali, foi quando olhei para ela, o motivo pelo qual eu estava ali e pensei "Tudo bem é por ela, vale a pena, melhor não poderia ser.". Na verdade eu sempre penso nisso, a vontade de estar sempre presente para protegê-la e para amá-la é tanta, e a felicidade que fico quando estamos juntos me machuca de tão intensa e pura. Eu nunca fui assim, eu nunca gostei de salão de cabeleireiros e nem de ir em lojas de roupa, mas desde que ela apareceu na minha vida até comédia romântica eu assisto, tudo para deixá-la feliz.
Ela é a mulher mais perfeita que existe, é o sonho que sempre tive, é a mulher que esperei a minha vida inteira mesmo sem saber. Ela é linda, está sempre cheirosa mesmo depois de um dia inteiro de trabalho, tem um sorriso que me encanta e os olhos, ah os olhos dela, olhos de ressaca é a definição mais próxima que encontro para descrevê-la. Ela anda sem olhar para o chão e tropeça em tudo, anda cambaleando e toda linda, não sobe um lance de escada sem parar pelo menos duas vezes, e eu acompanho e até ameaço pegá-la no colo, na verdade essa é a minha vontade. Ela também é um pouco brava e me olha sério quando faço algo que a irrita, isso a deixa tão mais linda. O conjunto disso tudo resulta na doçura de menina/mulher que só ela tem.
Ela gosta de jogar vídeo game e brincar de lutinha, ela me pede aulas de boxe, ela ri sem parar quando ameaço fazer cócegas, ela canta enquanto estamos no trânsito e toca seus instrumentos imaginários, ela me mata de vergonha mas eu amo o jeito dela, ela é tão feliz e ao mesmo tempo adora músicas tristes, ela me mostrar músicas e um mundo diferente, o seu mundo imaginário. Ela quer ir para a Itália, ela planeja o nosso casamento e quando vejo, lá estou eu pensando em ir casar na Itália. Ela é linda, ela é única, ela é meiga brava, ela anda atropelando tudo e é por isso que quero sempre estar ao seu lado, para protegê-la e segurá-la pela mão todas as vezes que precisar, eu quero eternizá-la no braço, no coração e na vida.



Borghetti, Maísa.