quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O Teatro Mágico - Nosso Pequeno Castelo


Me faça rir, me faça feliz.
Tem um momento da vida que você descobre que está feliz, mas logo se da conta de que algumas coisas não mudaram. Que o faz de conta não aconteceu é fato e isso é o que mais bagunça e tumultua tudo em mim. O sonho que tive que acordar, que se tornou pesadelo, será que tudo foi em vão? Foi tolice acreditar que seu sorriso era meu?
Faz um tempo que tudo estava bem, mas a vida surpreende a cada amanhecer e tem dias que acordo e sinto falta de um bom dia, de músicas durante a tarde e café depois de um dia de trabalho, daqueles em que falávamos do nosso trabalho.
O segredo que foi descoberto, talvez se nunca tivesse sido escondido as coisas dessem certo, ou errado demais. Não sei, só sei que muita coisa ficou e não se apaga o que foi tatuado, a promessa foi feita em um pequeno castelo, é ai que está o valor.



Borghetti, Maísa.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Escravidão


Me sinto escrava da tecnologia. Não sei mais viver sem meu celular ou meu computador. Só encontro minhas músicas online, nada nas rádios ou CDs, não sei caminhar seu meu amuleto branco, quadrado, que está sempre conectado com outras mil pessoas. Não consigo ler um livro sem desviar o olhar para o Whatsapp, não consigo ir a um lugar bonito tirar fotos e não publicar no instagram.
Me sinto escrava do meu próprio celular. Sou eu quem deveria guiá-lo e não ele a mim. Pensei em me testar e passar um dia desconectada, desligada. Me dá calafrios só de pensar em quantas pessoas tentarão falar comigo e com quantas pessoas vou querer falar no caminho entre o trabalho e a faculdade.
Estou tão escrava que converso por mensagem com o amigo que está do meu lado, não me lembro qual foi a última vez que liguei para alguém ou mandei uma carta. Hoje em dia mandar carta é brega.
Onde estão as cartas? Os CDs? Uma conversa descontraída e sem pausas numa roda de amigos?
Quero voltar a viver sem Wi-Fi, 3G, whatsapp, instagram, FACEBOOK. Quero tirar fotos sorrindo com amigos, e só com eles.



Borghetti, Maísa.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Aqui ou lá. Sei lá.




Eu e minha vontade de ir embora daqui.

Eu odiava o Rio de Janeiro mesmo sem ter posto os pés naquela praia maravilhosa, odiava carioca mesmo sem ter conversado com um deles. Eu odiava o Rio de Janeiro por puro pré-conceito de paulistano apaixonado e defensor. Até que um dia eu não só pisei naquela praia maravilhosa, mas vi do alto a beleza cantada por Gil.
Desde então passei a ver a beleza daquele lugar, daquelas praias e pessoas. Quis morar lá com a certeza de que seria melhor e diferente, com a certeza de que eu teria um mar infinito e invejado para acompanhar minhas melancolias, com a certeza de que seria tudo diferente e lindo, e calmo, e fantástico. Pois bem, a vontade é maravilhosa, mas não poder realizá-la foi frustrante e meus dias em São Paulo passaram a ser preto e branco. Quem me ouvia dizia “Mude, lute e vá!” como se fosse simples. Algo me perturbava nessa cidade, nem o que tocou Caetano me tocava mais. Lembro que quando criança eu adorava me ver na Ipiranga com a Avenida São João, alguma coisa realmente acontecia no meu coração, mas isso estava no passado.
Hoje eu me vejo em um dos homens por quem sou apaixonada. A minha vontade louca de sair daqui amenizou, na famosa Avenida Paulista encontrei um canto para o meu sossego. Não me importo em compartilhar dias melancólicos com um lago dentro de um parque, com o calor humano dentro do trem, com a pressa de quem vai pela Avenida Paulista, mas ele sim, ele se importa. Meu instinto de garota apaixonada diz que devo protegê-lo, minhas lembranças... Ah, minhas lembranças, elas me acalmam e dizem que tudo ficará bem. Ele é apaixonado pela mesma cidade que eu, ou deveria dizer “as mesmas cidades”?
Um conselho? Todo lugar tem uma manhã cinza vez ou outra. Todo criança quer fugir de casa com a mochila nas costas (e um ursinho dentro), assim como todo carnaval tem seu fim. A semelhança que nos une nessa vontade louca de sair do nosso lugar é o trecho da minha atual música favorita e deixo aqui para que seja sua também: 
Por opção, como quem ama o Rio Mas tem São Paulo como seu lugar.

Temos algo dentro de nós que não tem nome, mas grita. Nosso refúgio está nas músicas, fotos e textos, belos textos, belas fotos e belas músicas. “Passará”.


Para o amigo que eu gosto mais a cada dia, Vinicius Galhardo.



Por Maísa Borghetti

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Mais simples

Tudo o que eu quero é uma vida simples, sem muita cobrança de sentimentos, cobranças de si, apenas simples.
Sem muitos apetrechos, sem glamour, sem nada disso que encanta e faz os olhos brilharem, eu quero mais amor, mais simplicidade e delicadeza.
Sem esperar grandes novidades, sem me decepcionar com a falta delas, a simplicidade nos faz ser feliz até mesmo sem todas essas coisas.
Simples. Nada combinado, nada para impressionar, apenas belo e simples. A simplicidade por si já é encantadora. Tudo o que é simples é sincero, e tudo que é sincero é amor, e tudo que é amor é eterno.



Borghetti, Maísa.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fabrício Carpinejar

Pensava que escrevia por timidez, por não saber falar, pelas dificuldades de encarar a verdade enquanto ardia, arvorava, arfava. Há muitos que ainda acreditam que começaram a escrever pela covardia de abrir a boca. Nas cartas de amor, por exemplo, eu me declarava para quem gostava pelo papel, e não pela pele, ainda que o caderno seja pele de um figo. O figo, assim como a literatura, é descascado com as unhas, dispensando facas e canivetes. Não sei descascar laranjas e olhos com as unhas, e sim com os dentes. Com as mãos, sei descascar a boca do figo e o figo da boca, mais nada. Acreditei mesmo que escrever era uma fuga, pedra ignorada, silêncio espalhado, um subterfúgio, que não estava assumindo uma atitude e buscava me esconder, me retrair, me diminuir. Mas não. Escrever é queimar o papel de qualquer forma. Desde o princípio, foi a maior coragem, nunca uma desistência, nunca um recuo, e sim avanço e aceitação. Deixar de falar de si para falar como se fosse o outro. Deixar a solidão da voz para fazer letra acompanhada, emendada, uma dependendo da próxima garfada para alongar a respiração. Baixa-se o rosto para levantar o verbo. É necessário mais coragem para escrever do que falar, porque a escrita não depende só de ti. Nasce no momento em que será lida.



Carpinejar, Fabrício.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

(RE)inventar. (RE)começar. Recomeçar.

Do (RE)começo nasce o erro. Porque todo recomeço (meu) é baseado em todos os meus não's anteriores. Pois bem, não recomeçar é o que vale. Começar é começar, não precisa de RE nenhum. Aliás, quem coloquei aquele RE escondido ali em cima? 
Vê lá, tem gente demais dando pitaco no meu começo, no meu livro, livreto, cordel, sei lá o que. Quanta auto-ajuda, sai pra lá.

Me deixa, deixa eu que hoje vou ser Dom. É, esse mesmo. O Quixote, Dom Quixote, aquele lá que quando voltou percebeu que não é herói, sabe? Chega disso, quanto tempo eu já perdi aqui com tanta explicação? Não lhe devo explicação alguma, anônimo e raro leitor. Nem mesmo a mim leitora de minhas próprias palavras. Quem explica a vida, não vive, siga o conselho do mestre "Não passe pela vida. Viva". Ora, Chaplin colocou tão bem as palavras que seria inútil contrariá-lo.

Mas chega de prosa que eu já me cansei de lero-lero, vocês estão me atrapalhando. Para de me ler que minha letra não é boa e quase não se entende aquilo que se lê, a culpa é da minha mãe, eu só sei que as palavras são bonitas, a letra já é com ela, nem vem, vá ler o livro de alguém e me deixe aqui com o meu, anda logo que já deu a hora. Vá, mas depois volte aqui para mais um dedinho de prosa, traz alguém que eu sou nova e quero conversar com gente antiga, que isso é bom para o conhecimento de gente que ainda não viveu muita coisa, e precisa de ajuda para escrever um livro.



Borghetti, Maísa.