segunda-feira, 23 de dezembro de 2013


Meu colchão é velho, minha cama também. No meu quarto tem uma prateleira com algumas lembranças e apesar de ficarem na mesma parede que a cama, elas não roubam meus sonhos bons e não me dão pesadelos, porque os sonhos são meus e eu decido se serão bons ou não.



Borghetti, Maísa.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A vida e o tempo

Titias, Vovô comigo no colo e Papai.

Vi uma senhora tão linda no trem, sentada ao lado de uma moça que provavelmente é sua filha.
Ai eu penso, como o tempo passa.
Penso que um dia ela talvez esteve no mesmo barco que eu, ela já foi jovem e saudável e talvez também não gostasse de levar blusa de frio para todos os lugares, ou não se importava tanto em comer lanche na hora do almoço em plena segunda-feira.
Ela já andou de bicicleta, correu por ai e ficou com gente que não deveria, teve alguns namorados, muitos amigos e hoje é uma senhorinha linda sentada no preferencial ao lado de sua filha que ontem ela cuidava, e hoje é quem cuida dela.
Eu penso "será que ela se lembra de toda a vida dela?" por isso eu tiro fotos, eu gosto de viver os momentos, mas também gosto de guardar como lembrança.
Sempre que eu vejo fotos dos meus pais quando jovens eu fico pensando o que pode ter acontecido antes e depois daquela foto, e gostaria muito de saber como era a voz deles, se eles eram como eu sou hoje... Eu acho a vida muito engraçada, eu adoro ver fotos dos meus pais, ver como eles eram antes de eu existir, antes até mesmo de meus irmãos existirem.
O tempo passa para todos, vejo minhas fotos de criança e não me lembro de muita coisa, guardo todas com muito carinho, um dia quero comparar todas as fotos e ver as mudanças, os fios de cabelo branco, o corpo que muda, o rosto, as rugas...
Quando olho para estar fotografias fico pensando no que todos eles sentiam no momento, o que pensavam e como o tempo passa, como eu gostaria de voltar pelo menos uma vez no tempo.
Segue algumas fotos de família e minhas crescendo.

Olhando para a câmera, Vovó e Vovô que moram no céu.

Vovó que hoje mora no céu.

Metade do Papai, Vovó e Titia.

 Irmão, Mamãe, Eu e Irmã
 Eu quando não sabia falar

 Eu com 4 anos, já falava muito

Eu cortando meu bolo de aniversário de 6 anos

Eu com 7 anos

 Eu com 7 anos na formatura do Prézinho




Borghetti, Maísa.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Eu adoro a minha casa, mas não gosto da minha cidade nem do meu bairro.
Eu adoro os meus amigos, mas seria bem melhor curtir com eles em outro cenário.
Minha adolescência foi legal, mas curtiria bem mais em uma praia num dia de sol ou numa noite em um lual.
Adoro a capital, a correria e até o ar condicionado do trem, mas hoje trocaria isso por uma tarde sentada de frente para o mar.
Eu quero brisa leve no rosto, cabelo molhado ao vento, areia fazendo coçar os olhos, cílios sem rímel, olhos sem lápis preto, boca sem batom vermelho. Eu quero sentar, cantar minha música sem ter que abrir os olhos e ver que cheguei na estação e preciso descer correndo. Quero músicas sem interrupções, noites com cheiro de mar, manhãs de sol e pés na areia.



Borghetti, Maísa.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O Teatro Mágico - Nosso Pequeno Castelo


Me faça rir, me faça feliz.
Tem um momento da vida que você descobre que está feliz, mas logo se da conta de que algumas coisas não mudaram. Que o faz de conta não aconteceu é fato e isso é o que mais bagunça e tumultua tudo em mim. O sonho que tive que acordar, que se tornou pesadelo, será que tudo foi em vão? Foi tolice acreditar que seu sorriso era meu?
Faz um tempo que tudo estava bem, mas a vida surpreende a cada amanhecer e tem dias que acordo e sinto falta de um bom dia, de músicas durante a tarde e café depois de um dia de trabalho, daqueles em que falávamos do nosso trabalho.
O segredo que foi descoberto, talvez se nunca tivesse sido escondido as coisas dessem certo, ou errado demais. Não sei, só sei que muita coisa ficou e não se apaga o que foi tatuado, a promessa foi feita em um pequeno castelo, é ai que está o valor.



Borghetti, Maísa.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Escravidão


Me sinto escrava da tecnologia. Não sei mais viver sem meu celular ou meu computador. Só encontro minhas músicas online, nada nas rádios ou CDs, não sei caminhar seu meu amuleto branco, quadrado, que está sempre conectado com outras mil pessoas. Não consigo ler um livro sem desviar o olhar para o Whatsapp, não consigo ir a um lugar bonito tirar fotos e não publicar no instagram.
Me sinto escrava do meu próprio celular. Sou eu quem deveria guiá-lo e não ele a mim. Pensei em me testar e passar um dia desconectada, desligada. Me dá calafrios só de pensar em quantas pessoas tentarão falar comigo e com quantas pessoas vou querer falar no caminho entre o trabalho e a faculdade.
Estou tão escrava que converso por mensagem com o amigo que está do meu lado, não me lembro qual foi a última vez que liguei para alguém ou mandei uma carta. Hoje em dia mandar carta é brega.
Onde estão as cartas? Os CDs? Uma conversa descontraída e sem pausas numa roda de amigos?
Quero voltar a viver sem Wi-Fi, 3G, whatsapp, instagram, FACEBOOK. Quero tirar fotos sorrindo com amigos, e só com eles.



Borghetti, Maísa.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Aqui ou lá. Sei lá.




Eu e minha vontade de ir embora daqui.

Eu odiava o Rio de Janeiro mesmo sem ter posto os pés naquela praia maravilhosa, odiava carioca mesmo sem ter conversado com um deles. Eu odiava o Rio de Janeiro por puro pré-conceito de paulistano apaixonado e defensor. Até que um dia eu não só pisei naquela praia maravilhosa, mas vi do alto a beleza cantada por Gil.
Desde então passei a ver a beleza daquele lugar, daquelas praias e pessoas. Quis morar lá com a certeza de que seria melhor e diferente, com a certeza de que eu teria um mar infinito e invejado para acompanhar minhas melancolias, com a certeza de que seria tudo diferente e lindo, e calmo, e fantástico. Pois bem, a vontade é maravilhosa, mas não poder realizá-la foi frustrante e meus dias em São Paulo passaram a ser preto e branco. Quem me ouvia dizia “Mude, lute e vá!” como se fosse simples. Algo me perturbava nessa cidade, nem o que tocou Caetano me tocava mais. Lembro que quando criança eu adorava me ver na Ipiranga com a Avenida São João, alguma coisa realmente acontecia no meu coração, mas isso estava no passado.
Hoje eu me vejo em um dos homens por quem sou apaixonada. A minha vontade louca de sair daqui amenizou, na famosa Avenida Paulista encontrei um canto para o meu sossego. Não me importo em compartilhar dias melancólicos com um lago dentro de um parque, com o calor humano dentro do trem, com a pressa de quem vai pela Avenida Paulista, mas ele sim, ele se importa. Meu instinto de garota apaixonada diz que devo protegê-lo, minhas lembranças... Ah, minhas lembranças, elas me acalmam e dizem que tudo ficará bem. Ele é apaixonado pela mesma cidade que eu, ou deveria dizer “as mesmas cidades”?
Um conselho? Todo lugar tem uma manhã cinza vez ou outra. Todo criança quer fugir de casa com a mochila nas costas (e um ursinho dentro), assim como todo carnaval tem seu fim. A semelhança que nos une nessa vontade louca de sair do nosso lugar é o trecho da minha atual música favorita e deixo aqui para que seja sua também: 
Por opção, como quem ama o Rio Mas tem São Paulo como seu lugar.

Temos algo dentro de nós que não tem nome, mas grita. Nosso refúgio está nas músicas, fotos e textos, belos textos, belas fotos e belas músicas. “Passará”.


Para o amigo que eu gosto mais a cada dia, Vinicius Galhardo.



Por Maísa Borghetti